21/06/2018

26 DE JUNHO: DIA MUNDIAL DE COMBATE ÀS DROGAS

Empresas ainda têm dificuldades para lidar com funcionários dependentes químicos.

O uso de drogas, incluindo álcool e nicotina, é um dos principais problemas de saúde pública no mundo, e está entre as principais causas de presenteísmo, atraso e falta ao trabalho. O consumo de drogas altera significativamente o Sistema Nervoso Central e impacta na capacidade produtiva das empresas. Mesmo tendo consciência de que a doença pode afetar profissionais de diferentes faixas etárias, sexo, condição social e grau de instrução acadêmica, as empresas ainda têm dificuldades em tratar o assunto.

Segundo Relatório Mundial sobre Drogas 2017, publicado pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), cerca de 250 milhões de pessoas usaram drogas em 2015, e pelo menos 190 mil morreram neste mesmo ano por causas diretas relacionadas com entorpecentes. Do total que pessoas que consumiu drogas em 2015, cerca de 29,5 milhões de pessoas - ou 0,6% da população adulta global - apresentaram transtornos relacionados ao consumo de drogas, incluindo a dependência química.

A maconha é a droga mais consumida, com 183 milhões de usuários em 2015, mas os opioides, entre eles a heroína, seguem sendo as substâncias mais nocivas à saúde, tendo seu consumo associado ao risco de contrair doenças infecciosas, como HIV e hepatite C; e são as que causam mais mortes. Os transtornos relacionados ao consumo de anfetaminas também representam uma parcela considerável na carga global de doenças.

Apoio e tratamento
No ambiente corporativo, o tema já foi alvo de muito preconceito. Antigamente um funcionário identificado como consumidor de drogas era sumariamente demitido, às vezes até por justa causa. Hoje o tema é abordado de forma mais pragmática, pelo viés da saúde, mas ainda com dificuldades.

A dependência química é considerada uma doença crônica (que não tem cura, mas pode ser controlada) e progressiva (se não for tratada, pode levar a morte), e abrange todas as classes sociais, incluindo gestores de empresa. Segundo a UNODC, só uma de cada seis pessoas que requer tratamento por conta destes transtornos recebe assistência, sendo a maioria nos países desenvolvidos.

Considerando que as drogas elevam substancialmente o risco de acidentes de trabalho e que a prevenção desses agravos é uma das atribuições de toda organização, não há como fechar os olhos ao problema. Sendo assim, a melhor conduta de uma empresa é oferecer apoio e tratamento ao funcionário dependente químico.

Ciente dos impactos da dependência química nas empresas, em julho de 2003, o Ministério do Trabalho e Emprego e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, por meio da SENAD (Secretaria Nacional Sobre Drogas), recomendaram que as empresas, mantenham programas de conscientização e prevenção ao problema do uso e abuso de substâncias psicoativas no trabalho, em particular sobre os efeitos do álcool e sua relação com o trabalho.

A Portaria Interministerial Nº 10 incumbe às empresas a necessidade de que suas Comissões Internas de Prevenção a Acidentes (CIPAs) fortalecerem e discutirem as medidas adotadas pelos Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSOs), no sentido de abordar a dimensão da problemática do alcoolismo e das demais dependências químicas.

A Portaria recomenda ainda, o estabelecimento de relação com a comunidade, utilizando recursos disponíveis e apoiando iniciativas já existentes, especialmente junto aos Conselhos Municipais ou Estaduais sobre Drogas, quando presentes.

Programas de Prevenção do Uso de Drogas
Pensando na saúde não só dos seus colaboradores, como da própria organização, algumas empresas já possuem Programas de Prevenção do Uso de Drogas estruturados. Em sua maioria, os programas atuam na prevenção, educação e conscientização. O acompanhamento é feito de maneira multidisciplinar, tendo como premissa a sigilo e confidencialidade.

A partir de uma metodologia internacional de referência, o UNODC desenvolve um projeto de prevenção ao uso indevido de drogas no ambiente de trabalho. O projeto tem como objetivo a adaptação, a implementação e a avaliação do impacto de atividades de redução da demanda por substâncias psicoativas no ambiente do trabalho e na família, seguindo diretrizes elaboradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).  No Brasil, o projeto é executado, desde 1995, pelo Serviço Social da Indústria do Rio Grande do Sul (SESI-RS). Saiba mais em http://www.sesirs.org.br/pt-br/sinta-se-bem/programa-de-prevencao-ao-uso-de-drogas

Notícias Relacionadas